terça-feira, 3 de abril de 2012

pequena propriedade soberana

uma flor

levada por cada mão

depois das danças

nós tentamos explicar

nossos corações para elas

que não são objeto de penhora

sob a disposição de nenhuma lei

sexta-feira, 2 de março de 2012

O Escaravelho Sagrado (ou por demais Kafka, Augusto dos Anjos, o Surto da Energia e a Constituição)

Há certos Escaravelhos
de um infra-ordenamento
não compatíveis
materialmente
com a constituição
da matéria do mundo

Alienígenas
Aqui
Ali
e Agora?

Dentro de nós,
como pôde?

Entrar-nos num vilto
Inconstitucionalmente, que nos pertence

Irá durante sua existência
Integrar
Re-integrar
Escalar
Re-escalar
Anular
Revogar
o que já sentimos?

Ou irá constituir-nos
depois desse, que descobriremos,
Ter sido o período de gestação
antes de sua efetiva Constituição do Nosso Vigor

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Na fronteira de uma pós-maré com um luar ainda por vir


Na fronteira de uma pós-maré com um luar ainda por vir

se compadecendo
fechando os olhos
para lembrar dela

será esse amor uma ferramenta para a existência

tantas alturas pra percorrer num caminho que não foi pré-traçado

reencadeando bandas esquerdas e direitas
encontra-se um filamento que avança bem mais numa direção própria

Nessa vida, nessa preciosa Mãe Terra, buscamos algumas respostas,
Apenas limpe sua mente e se sentirá assim

Deus nos Abençoe a Todos

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

cordel da casa do quente e do frio


aquela casa era sem igual
a Tia andava armada,
descarga só com balde

mas como recebiam a gente bem
os eremitas da cidade,
na terceira idade

e na parede de veludo verde
se lia:

"em todas as casas
quente é o verão
tempestade de mangas
calor no coração
na casa do quente e do frio
se experimenta também
do morango do inverno
do decorrer das noites
que são quentes e frias"

velhos atores por ali andaram
antigos palhaços
hoje em dia
suas figuras engraçadas
estão imortalizadas em quadros
com salmos impressos
ao lado

também os dramáticos estiveram
de fato os últimos que restaram
donos consecutivos de uma casa
e, exceto a Tia armada,
não tem medo de invasão ou de roubo

e a casa mais parece um Castelo
estive lá com a minha namorada
chegamos na encolha da madrugada
dormimos em cama macia
e comemos amostras dos doces

no outro dia
no baile estivemos
ah que Baile mais belo
com os velhinhos pintados
a musica de metais rolando
jogos de sinuca e cartas
51 bebericando

na verdade tão imersos ficamos nos jogos
que nem uma gota bebemos
fomos embora pensando
que casa era aquela constituída
de tão formosa escultura
e parte interna tão benevolente
que também aos pobres ajuda
dando abrigo e comida
e os incentivando
a vender suas artes
que calmamente ali mesmo produziam

domingo, 8 de janeiro de 2012

noema: diálogos # 1 *pluma e vento*


Narrador:

calma, o mundo não está parando,
sinta onde estamos agora
conte-nos o que acontece...

Personagem:

"nesses céus coloridos e casas suspensas
os trens voam"

"vivemos como superstars
nas nossas cozinhas,
esperando por nada..."

"vemos uma estrela cadente
ela nos canta de volta
a ignomínia do brilho"

"geradores de atlas e direções
não mais nos dizem onde devemos ir,
seu novo símbolo é uma coruja rindo,
aposentada da função de vidente..."

"está o mundo parado?"

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

tão breve o falar...
...tão intenso o sentir!

os poemas falham,
na mesma regra das cartas,
devolvidas ao remetente

algo sobra

breve e quente como a pele

casca de madeira
enrugada e viva




quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Noema da Cinderela-Arara que busca por Michael

"Neverland
recebeu uma visita inesperada"

"Eu"

Era uma vez...
...Uma Arara Encantada de um Rio do Brazil:

"Meus olhos tão curtos,
meu bico colorido,
e minha pele enrugada

"Eu vinha de um outro tempo,
amaldiçoada pelos prazeres que ouvi numa canção,
tocada num velho piano destroçado..."

"...num barco..."

"...destinado aos States..."

"Qual é a macaca que iria timbrar aquele piano naquele ritmo petrificante?"

- É ela, a Micaela Jackson!

"Me poupe!"

"Qual o pé de sereia daria um timbre todo especial pr´aquelas teclas?"

- É ela a Lady Valéria!

"Num brinca!"

"Demais pra mim, eu pensei,
tsc tsc tsc,
hmmm, deboxada,
desmiolada!"

"Agora, desenhando um noema desendereçado,
ou seja,
sem remetente ou destinatário,
estava eu aqui de penas pro ar.
Toda colorida,
esperando por Michael."

"Ahhhh, nada dele..."

"Onde será que ele se escondeu?"

"O céu tremeu,

eu bati umas asas
levantei pó no Saloon"

"E meu tempo passando...
ainda nada de MJ"

"Jamais irei reencontrar um lugar tão belo...
...ou irei?"

"De repente
minha pele e minhas penas saem de mim!
Se transformam em cabedais dos Jackson 5!"

"Meu cabelo está de volta,
estou voltando a mim, à pele humana...
na minha velha cama"

"Tão longe de lá...
da terra do nunca"


terça-feira, 3 de janeiro de 2012

desprendimento inicial para uma viagem

siga em frente
deixe de lado sentimentos alheios

sua vontade de misericórdia está apenas agitada e débil

a reza,
perdida pelos hippies e por você em 88,
é o aeon
e quer que você venha a ser,
o que ruge no ambiente a ovação do amor e da mochila nas costas


segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

nada

que não esteja escrito

deve ser degelado

da geladeira da memória

tudo

que seja lembrado

deve ser esquentado

pelo fogo da história


sábado, 31 de dezembro de 2011

o subproduto da poesia

encontrei quatro letras soltas que restaram de um papel amassado
onde dormiam elas depois de amassarem esse papel?
qual a forma delas, antes?

eram palavras,
talvez
iniciais?

que tenham sido paz e amor em alguma linha

agora

aletradas,
alteradas,
que pertençam a um novo ritmo...

vou tentar alinhavá-las
bordá-las
se possível, sentido algum, for...

quinta-feira, 31 de março de 2011

Poesia é a unica linguagem livre de bugs
A cidade silencia
E ela sentencia:

"assim como nos velhos tempos,
do ontem e do amanhã,
felizes seremos"

A poesia não é vendida
A poesia não é comprada
Me silencio na presença dessa presença

Chuva, mundo, cores
O choro que a poesia me traz é:::



(encontrando expressão)

quinta-feira, 17 de março de 2011

sem expressão

Poetas quedados nas ruas,
arrependidos de sua ultima expressão
seu silêncio tendo a beleza da natureza morta

uma indicação de mistério

Suas antigas juventudes voltam à Mãe, a frase

550.000 expressões
nenhuma que os valha
ainda nenhuma chaga saiu dos pulsos

A Mãe não alimenta a ferida

sexta-feira, 11 de março de 2011

buscando expressão

buscando a expressão nas curvas das montanhas


é uma eterna revisão
uma nova velocidade
um trauma reajustado

frases intermitentes dizem respeito ao nada

- não devemos nunca deixar de olhar pra trás!
- não me diga, sério?

no que tudo começa de novo eternamente...
e frase vai e frase vem
e nunca, nunca, deixe de entender as palavras

show!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

ser-ir

assim acontece de ser enquanto é
de maneiras que não entendemos
e acontece adiante de sermos
e não entendemos

o grau zero libra de todo ponto importante
se marca com uma tinta de caneta
e uma cola de envelope em qualquer envelope

os escritos independentes vem agora dizer o contrário do que disse antes
muitos tem feito isso ou aquilo
mas o que faz sentido é apenas o que se faz adiante

não vale a pena não entender o fato concreto
chega de experimentos
essas chagas desses ferimentos

plantei uma planta
e esperarei ela crescer nessa luz minguante dessa lua minguante

que cresça e que exista nesse sentido contrário na entrega
do seja do é e do foi